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Garçom, aqui nessa mesa de bar...?

Uma das características mais evidentes do ser humano é, justamente, sua capacidade de servir: servimos às necessidades da empresa onde trabalhamos, dos nossos familiares, de um amigo nos momentos em que ele precisa de acolhimento, enfim. O ato de servir, ajudar, acolher está intimamente atrelado à gênese dos relacionamentos em sociedade.

Optei por resgatar a importância deste verbo já no começo do artigo de hoje, para homenagear um dos “profissionais imateriais” dos bares e restaurantes que sabe, como ninguém, o que é servir ao próximo. Na última terça-feira (11), foi celebrado o Dia do Garçom, figura ímpar no atendimento a todos os clientes que saem para almoçar/jantar ou simplesmente se reúnem para o happy-hour pós expediente.

Profissional bastante popular, ainda mais para quem gosta da vida boêmia, o garçom é, praticamente, a espinha dorsal dos estabelecimentos de alimentação fora do lar. Suas funções vão muito além daquelas para as quais, na teoria, ele foi contratado. Pelo contato frequente e muitas vezes próximo com os clientes (principalmente os fiéis) acaba se tornando amigo, psicólogo e ouvinte.

Se o chef de cozinha é importante pelo fato de assinar o sabor de um restaurante, o garçom tem igual importância pois é ele quem leva este sabor até a mesa do consumidor. É ele quem está na linha de frente do salão, sendo muitas vezes ‘a cara do estabelecimento’. E digo mais: de nada adiantaria as mãos talentosas do primeiro sem o atendimento impecável do segundo.

Muitos, inclusive, são verdadeiros mestres em atender. Quantas vezes, por exemplo, ao chegar em um restaurante, a primeira coisa com a qual você se deparou foi o garçom de sorriso aberto?’ Quantas vezes, ao chegar no bar do seu bairro, o garçom já te chamou pelo nome e imediatamente “desceu” a sua gelada favorita, sem que você sequer precisasse pedir?
Essas e tantas outras práticas comuns a este profissional, são, sem dúvida, uma das várias coisas que fazem falta nestes tempos de pandemia.

Por isso quero, hoje, homenagear esses trabalhadores, verdadeiros patrimônios da cena gastronômica e que, infelizmente, foram os primeiros a perderem seus empregos com o fechamento do setor, há quase 150 dias, em Belo Horizonte.

Sinto muita saudade das casas cheias com o vaivém dos garçons se equilibrando com suas bandejas, como se fossem exímios malabaristas. Por isso deixo aqui o meu respeito, admiração e força a todos que, como diz a famosa letra de Reginaldo Rossi, já cansaram de escutar centenas de casos de amor, afinal no bar todo mundo é igual.

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