mg.abra

Deixe o self-service ficar

Depois de mais de 150 dias fechados, os restaurantes de Belo Horizonte reabrem na próxima segunda-feira (24) sem a figura mais importante do horário do almoço, justamente o período no qual estarão permitidos a funcionar: o self-service. Segundo os protocolos da prefeitura, o tradicional modelo de alimentação fora do lar, da forma como o conhecemos, em que o cliente monta a refeição e em seguida leva até a balança para pesá-la, será reformulado. No ‘novo Anormal’, a proposta da PBH é que apenas um funcionário do estabelecimento manipule os pegadores e entregue a comida ao freguês ou então que os alimentos sejam isolados dos consumidores.

Entre os motivos alegados está o fato de que os clientes compartilham as mesmas colheres para se servir e, muitas vezes, falam enquanto colocam a comida no prato, o que pode aumentar as chances de contaminação pela Covid-19. Daí a necessidade de rigidez nas regras.

Essa drástica mudança, se implementada em caráter permanente, irá descaracterizar um serviço que, por ter nascido em Belo Horizonte nos anos 80, através da mente criativa do nosso querido colega Fred Mata Machado, faz parte da identidade gastronômica da cidade. Isso sem falar que o ato do cliente se servir é justamente um dos atrativos dos restaurantes a quilo. Entregar a escolha da refeição a outro gera mal estar em muitos fregueses, que prezam pela autonomia de colocar o quanto quiserem nos pratos sem dar satisfação de suas escolhas. E isso não é uma afirmação minha. Segundo uma pesquisa da consultoria Galunion apenas 20% do público de self-services, prefere ter o prato abastecido por alguém.

Ao invés de desconfigurar um serviço que, praticamente, é a alma dos nossos restaurantes, sugiro que a prefeitura de Belo Horizonte se inspire em cases que vem dando certo em outras capitais do país, que já reabriram seus estabelecimentos, entre elas Maceió (AL), Brasília (DF) e Fortaleza (CE). Por lá os clientes usam luvas descartáveis e álcool em gel 70% ao se servirem para que assim não sejam privados de fazerem as próprias escolhas ao montarem os pratos. Essa é uma alternativa que impede uma provável contaminação e, ao mesmo tempo, não descaracteriza a essência do self-service.

Quero lembrar, também que a Organização Mundial da Saúde (OMS) é taxativa ao afirmar que os alimentos não transmitem o coronavírus, portanto o hábito do cliente que vai ao self-service e monta seu próprio prato é o mesmo daquele que toca nos produtos de um supermercado ao fazer suas compras ou escolhe os pães da padaria. Não há risco em deixar com que eles façam suas escolhas, desde que sejam respeitados os critérios de higiene e distanciamento nesses ambientes.

Portanto PBH, posso fazer um pedido? Deixe o self-service ficar.

Ricardo Rodrigues – Presidente ABRASEL-MG e Coordenador da Frente da Gastronomia Mineira

ASSESSORIA DE IMPRENSA:

Agenda Comunicação Integrada

Jornalistas responsáveis:

Maíra Rolim - JP 8850- MG

Daniel de Andrade - RP 0020661-MG

(31) 3021-0204 | 9 8500-1358 | 9 9120-1068

www.agendacomunicacao.com

Comentários