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Que a justiça seja feita

Depois de ficar sem respostas concretas sobre o porquê de ser excluída do processo de reabertura gradual do comércio de Belo Horizonte e tampouco ter uma mínima previsão de quando a retomada poderá ocorrer para o setor de alimentação fora do lar, a ABRASEL se viu obrigada a acionar a justiça por meio de um mandado de segurança coletivo contra a prefeitura.

São demasiadamente confusos os critérios que a PBH estabeleceu para determinar os segmentos da economia que puderam reabrir no último dia 25. Setores com menos condições de assegurar medidas contra o coronavírus, como bancos, lotéricas e até shoppings populares tiveram suas atividades retomadas.

A questão dos shoppings populares, por exemplo, é emblemática. Como é possível garantir o afastamento nesses locais e deixar de fora bares e restaurantes que têm toda condição de operar nos padrões? No pedido que enviamos à Justiça, inclusive, garantimos que, caso reabertos, seguiremos uma série de cuidados: distanciamento mínimo de um metro entre as cadeiras ocupadas; e de dois [metros] entre as mesas; disponibilização do álcool em gel 70% para os clientes, exigência do uso de máscaras para colaboradores e clientes e permanência de até no máximo uma hora dentro do estabelecimento.

Como resposta à ação judicial, o prefeito Alexandre Kalil simplesmente nos tirou do Comitê de Enfrentamento à Covid-19, que discute propostas e sugestões para a reabertura do comércio com representantes do setor na capital mineira. Tal postura vai na contramão do diálogo que vínhamos estabelecendo nas últimas semanas.

Infelizmente não queríamos que a situação caminhasse dessa forma. Como sempre venho insistindo neste espaço, o único pedido da ABRASEL é uma estimativa de quando a retomada será feita. Entendemos que ela está atrelada ao avanço do vírus na cidade e à ocupação dos leitos públicos. Não queremos e nem vamos reabrir a qualquer preço.

Porém não podemos deixar de destacar o quão assustador é o fato da PBH ignorar a situação do segmento. Segmento este premiado internacionalmente pela Unesco quando BH recebeu o título de Cidade Criativa da Gastronomia. Além disso nossa cidade é inegavelmente reconhecida como capital brasileira dos botecos. Só por aí já é possível perceber o valor que deveríamos ter para o município.

Em Madri (Espanha), o setor de alimentação fora do lar ficou 69 dias sem funcionar. Já em Milão (Itália), que foi o epicentro da Covid-19 na Europa, o setor permaneceu inoperante por 56 dias. Nós estamos há quase três meses com nossos bares e restaurantes fechados, um recorde que não queríamos carregar.

O pior de todo esse cenário é que, infelizmente, ele vem contribuindo para a extinção de empregos e empresas. Até o fim do mês passado, fomos obrigados a demitir 25 mil trabalhadores. A expectativa é de que esse número chegue a 60 mil se os estabelecimentos permanecerem fechados em junho. Este é um 2020 que nem nos piores pesadelos cogitávamos vivenciar.

Ricardo Rodrigues – Presidente ABRASEL-MG e Coordenador da Frente da Gastronomia Mineira

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